quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Últimos dias de Michael foram 'luta desesperada contra insônia'



Michael Jackson em show da turnê 'Dangerous' em agosto de 1993. (Foto: AP)

Médico declarou que cantor se referia a medicamentos como seu 'leitinho'.
Psiquiatra define comportamento como 'comum em dependentes de drogas'.


Da France Presse


Os últimos dias de Michael Jackson, conforme relatados por um oficial envolvido nas investigações de sua morte, mostram um homem numa luta desesperada contra a insônia e suplicando a seu médico que lhe desse seu coquetel diário de sedativos e soníferos.

O médico do rei do pop, o cardiologista Conrad Murray, declarou que Jackson estava habituado aos medicamentos e que se referia a eles como seu 'leitinho'", conta o detetive da polícia de Los Angeles (LAPD), Orlando Martinez, em uma declaração sob juramento.

Cobertura completa: Jackson morre

Segundo a declaração, que acompanha o mandado de busca que permitiu à LAPD revistar o consultório do dr. Murray em Houston (Texas), Michael Jackson se debatia, pelo menos há seis semanas, entre sua insônia crônica e sua dependência de medicamentos considerados perigosos, entre eles o propofol, um potente anestésico que seria a causa de sua morte.

"Nenhum tratamento contra a insônia inclui o propofol", declarou à AFP o dr. Drew Pinsky, um psiquiatra que atende celebridades de Hollywood e apresenta o programa "Celebrity Rehab" (algo como "Desintoxicando as estrelas") num canal pago.

"O problema de Jackson não era insônia, era a dependência dos medicamentos", assegura Pinsky, acrescentando que "mesmo em Hollywood, é muito raro alguém conseguir esse tipo de medicamento em domicílio".

A descrição detalhada das últimas horas de Jackson pelo detetive Martinez revelam a vida pouco invejável do popstar.

Histórico

Murray admitiu à polícia que começou a tratar a insônia de Jackson com propofol seis semanas antes de sua morte, com a injeção de 50 miligramas do anestésico por noite.

O médico contou ainda que tentou fazer com que seu paciente se desacostumasse da dosagem substituindo o propofol por outros medicamentos, como os sedativos Lorazepam e Midazolam.

Segundo a declaração de Martinez, na noite anterior à morte do cantor, no dia 25 de junho, Murray decidiu dar a ele um Valium à 1h30. Como o remédio não fez efeito, resolveu ministrar meia hora depois uma dose de Lorazepam. Às 3h, o cantor não conseguia conciliar o sono e o médico deu então Midazolam. Mais uma vez, sem sucesso. Michael não conseguia dormir.

Por insistência do artista, Murray por fim ministrou 25 miligramas de propofol às 10h30, duas horas antes de sua morte. Depois da injeção de propofol, Jackson por fim conseguiu dormir e seu médico se ausentou do quarto para fazer umas ligações telefônicas. Quando voltou para ver o paciente, o cantor já não estava respirando.

Murray, então, começou a praticar a reanimação cardiopulmonar até a chegada do serviço de emergência. Michael foi levado ao hospital da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), onde foi dado como morto por volta das 14h (locais).

Dependente de drogas

Para o doutor Jeffrey Lieberman, chefe do departamento de Psiquiatria da Universidade de Columbia, em Nova York, a reação de Jackson diante da insônia "é um padrão muito comum de um dependente de drogas que precisa de drogas muito mais fortes que superem a tolerância de seu corpo ao medicamento".

"O risco de aumentar a dose ou acrescentar outra mais potente é sempre uma overdose, e especificamente algum tipo de parada cardíaca", explicou. "Você fica com seu sistema nervoso central tão sedado que não consegue manter suas funções vitais básicas. Prescrever esse conjunto de drogas está além do que qualquer médico consciente poderia fazer", concluiu.

Alexandre Rocha Abreu, professor de medicina da Universidade de Miami, é mais enfático. "O Propofol não é uma droga para tratar insônia em caso algum; é extremamente perigosa e só pode ser administrada num hospital".

Os investigadores acharam oito vidros de propofol na mansão de Jackson, entre outros sedativos prescritos por Murray, pelo dermatologista Arnold Klein e outro médico, dr. Allan Metzger, que também são alvo da investigação.

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FONTE: G1

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