quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Clara Nunes - Biografia


Clara Francisca Gonçalves Pinheiro, conhecida como Clara Nunes, (Cedro da Cachoeira, 12 de agosto de 1942 — Minas Gerais, 2 de abril de 1983) foi uma cantora brasileira, considerada uma das maiores intérpretes de samba do país.
Clara Nunes nasceu no interior de Minas Gerais no distrito de Cedro da Cachoeira, à época pertencente ao município de Paraopeba e depois emancipado com o nome de Caetanópolis.
Trabalhava numa fábrica quando participou do concurso A Voz do Ouro ABC, vencendo a etapa mineira e terceiro lugar na final, em São Paulo, 1960. A partir daí, conseguiu emprego numa rádio belo-horizontina e se apresentava em casas noturnas da cidade onde viveu até 1964, quando mudou-se para o Rio de Janeiro.
O primeiro LP, A voz adorável de Clara Nunes (1966), apresentou um repertório de conhecidos boleros e sambas-canções, mas foi um fracasso comercial.
Só começou a cantar samba a partir do segundo, Você passa eu acho graça, em 1968, cuja faixa-título, de Ataulfo Alves, foi o primeiro grande sucesso radiofônico, firmando-se como cantora desse gênero anos depois.
Com o LP Alvorecer de 1974 obteve grande sucesso com a canção Conto de areia (Romildo/ Toninho).
Clara ganharia uma homenagem da cantora Simone Bittencourt de Oliveira dezessete anos depois no disco Raios de Luz.
Bateu índices recordes de vendagem, chegando a quinhentas mil cópias - feito nunca realizado anteriormente por uma mulher no Brasil - e rompendo com o tabu de que cantora não vendia discos e estimulou outras gravadoras a investir em sambistas mulheres (formou também o trio ABC do samba - Alcione, Beth Carvalho e a própria Clara, assim como deu visibilidade a sambistas mais veteranas, casos de Dona Ivone Lara, Jovelina Pérola Negra e Clementina de Jesus).
Os discos que se seguiram a transformaram na maior intérprete de samba do Brasil. O disco seguinte Claridade (1975) vendeu ainda mais do que o anterior.
Alguns anos depois, pode-se observar um maior ecletismo no repertório, que incluiu baiões, baladas e até valsinhas, confirmando assim a grande versatilidade de intérprete, além das canções calcadas no tema do umbanda, a religião, e por caractertísticas dela e por suas indumentárias características: vestidos longos brancos, colares e miçangas, de origem africana. Canções que exaltam a religiosidade são: A deusa dos orixás, Guerreira, Filhos de Gandhi, e outras.
Na voz de Clara Nunes foram consagradas as seguintes interpretações: Você passa eu acho graça, Conto de areia, Canto das três raças, Ê baiana, Tristeza pé no chão, Nação, Na linha do mar, Morena de Angola, O mar serenou, Guerreira, Ilu Ayê - Terra da Vida, Coração leviano, As forças da natureza, A deusa dos orixás, Macunaíma, Alvorada, Menino Deus, Feira de Mangaio, Portela na Avenida, Serrinha, Nação, Misticismo da África ao Brasil, Lama, Sem companhia, Filhos de Gandhi, Deixa clarear, Derramando lágrimas, dentre outras.
O álbum mais vendido foi Brasil Mestiço (1980) que ultrapasssou a marca de um milhão de cópias vendidas. Clara tem no acervo mais de dezoito discos de ouro e é lembrada com muito carinho pelos brasileiros.
Morreu na madrugada de 2 de abril de 1983, prematuramente, aos 39 anos, depois de vinte e oito dias em coma: no princípio de março, ela se internou na Clínica São Vicente, no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro, onde se submeteu a uma simples operação de varizes na perna esquerda, por motivo de fortes dores que sentia ao dançar. Sofreu parada cardíaca e paralisação da atividade cerebral, por falta de oxigenação, vítima de um choque anafilático ou de um erro médico.
O corpo foi velado na quadra da Escola de Samba Portela - uma de suas paixões - e sepultado no Cemitério São João Batista, em meio a muita emoção dos fãs, cantores e parentes.
Alcione lhe dedicou um disco, como grandes amigas que eram, gravando músicas de seu repertório. O álbum, lançado em 1999, foi batizado de Claridade.
Foi casada com o poeta e letrista Paulo César Pinheiro, de quem gravou diversas composições. Paulo César hoje é casado com a cavaquinista Luciana Rabello.

Nenhum comentário:

Postar um comentário